Pré-conceitos x Alteridade

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Olá, Lez girls... Minha postagem de hoje é baseada em uma sugestão muito bem vinda, deixada nos comentários da minha postagem da última quarta-feira. Nos últimos posts eu vinha discutindo o preconceito que a comunidade LGBT sofre da sociedade heterossexista. Agora, chegou a vez de pensar sobre o preconceito dentro da própria comunidade LGBT. Inegável que existe muito preconceito entre nós mesmas (os). Certo? Basta lembrar das piadinhas com as lésbicas que julgamos mais masculinizadas (caminhoneiras?!), ou, das piadinhas com as lésbicas mais femininas (barbies passivinhas? Héteros curiosas?!)... E a recíproca também é verdadeira para com os homens gays... Isso pra não falar do gigante preconceito que muitas (os) de nós têm com as (os) bissexuais (eternas indecisas(os)? Promíscuas(os)?!)... Ou ainda do preconceito que me parece ser ainda maior: o preconceito para com os transsexuais e transgêneros (ou será que a rejeição tão grande do público para com a personagem Max, do The L Word, é pura coincidência?!). Não acredito em coincidência, só pra constar. Em todo caso, voltemos à discussão...

Por que tanto preconceito??? Porque não sabemos lidar com o diferente. Porque queremos julgar o diferente pelos nossos próprios valores. Porque não tentamos nos colocar no lugar do próximo, não tentamos entender como o outro ser humano pensa e sente. Acima de tudo, porque o diferente incomoda. Tendemos a rejeitar e inviabilizar qualquer oportunidade de aprendizagem através das diferenças. E isso me faz trazer um novo conceito aqui para o blog (sim, adoro conceitos, vocês já perceberam): ALTERIDADE.


“Tentar compreender a alteridade, isto é, a relação com os/as outros/as, é um tema candente no cenário internacional contemporâneo. A xenofobia e o racismo, as guerras étnicas, o preconceito e os estigmas, a segregação e a discriminação baseadas na raça, na etnia, no gênero, na orientação sexual, na idade ou na classe social são todos fenômenos amplamente disseminados no mundo, e que implicam em altos graus de violência. Todos eles são manifestações de não reconhecimento dos/das outros/as como seres humanos cabais, com os mesmos direitos que os nossos.”

Alteridade seria, portanto, a capacidade de conviver com o diferente, de se proporcionar um olhar interior a partir das diferenças. Significa que eu reconheço “o outro” também como sujeito de iguais direitos. É exatamente essa constatação das diferenças que gera a alteridade.

(Elisabeth Jelin - Cidadania e Alteridade: o reconhecimento da pluralidade)


E eu resumiria dizendo que alteridade é o respeito às diferenças, a disposição em colocar-se no lugar do outro, buscando compreendê-lo pelo seu próprio ponto de vista, e não pelo nosso; alteridade visa a não-agressão, o não-julgamento gratuito...Ou seja, alteridade é o que falta em todos os porquês acima...
Precisamos de alteridade... E precisamos já! O conceito, acredito eu, é simples de se entender, mas definitivamente não é fácil de se executar... Exige treino diário... E muita, mas muita boa vontade!

Além disso, pensando no caso da comunidade LGBT, ainda tão oprimida, foco de tanto preconceito vindo dos demais fragmentos da sociedade, fico pensando: por que diabos não somos mais unidos?! Não seria, até mesmo, mais estratégico?! Lembro de um saudoso professor de história com quem aprendi que, para vencer uma disputa, pessoas com ideais diferentes se unem para lutar por um ideal central, comum a todos (só um pequeno parênteses para uma reflexão sobre o sistema escolar: as aprendizagens realmente úteis para a vida, a gente nunca esquece...). Então por que não nos unimos mais?!?!?! Por quê??? Por quê???? Além de ser falta de alteridade, chega a ser quase (quase?) burrice...

Lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, transgênereros: uni-vos!!!!

3 comentários:

PehNoir disse...

ALTERIDADE.... A-L-T-E-R-I-D-A-D-E... Registrado (mais uma vez) o conceito mocinha sabida.

Agir... A-G-I-R... Parece obviamente simples... Mas não é.

Agora acredito que estamos fazendo a nossa parte para construir uma espaço social promissor para o nascimento da ALTERIDADE de fato... Em ato.

Amanhã darei uma entrevista/aula para crianças entre 8 e 10 anos... E-C-O-L-O-G-I-A... O estudo da casa.

Tentarei levar a ALTERIDADE comigo... E mostrar como a natureza pode muito bem representar esse suposto sistema diversificado/heterogêneo e harmônico/equilibrado.

Porém, AVISO... Neste sistema (aparentemente)harmônico/equilibrado... Há uma certa tensão... Necessária para manter a ATENÇÃO... A E-V-O-L-U-Ç-Ã-O.

Isso é só para lembrar que é tudo um processo. Processo contínuo de lutas entre conceitos e nichos.

Bjs mocinha sabida.

Equídina disse...

Creio que seja complicado botar em prática a tal da Alteridade, é um impulso praticamente irracional repelir e criticar tudo que é diferente a nossa visão.
Porém está ai o desafio de preconceito, não é só lutar por uma causa de igualdade ou tratar todo mundo bem, isso tem outro nome, falsidade!A idéia é mudar isso dentro da gente e eu acredito que é possível, pq assumo já tive preconceito por cor devido a influência de uma avó afastada, anos depois, meu melhor amigo era negro.Preconceito tem cura, é uma questão de parar e pensar que cada um é um mundo e faz o possível pra que ele seja um mundo feliz... E usando aquela frase que mamãe me ensinou, não faça e não deseje para o outro o que vc não quer pra si próprio!
É mais que Alteridade, é respeitar a individualidade... ficar na sua e deixa que os outros sejam felizes como quiserem!
Bom,é isso!Se não é, é quase!

Parabéns pela postagem!

Carol Sá disse...

Eu realmente gosto muito de suas postagens, vc escreve de uma forma bem simples assunto muito complicados... isso é um DOM! quem já leu Piaget sabe do q eu estou falando!
Puts na arqueologia utilizamos muito o termo alteridade, principalmente em pré-história pq muitas pessoas (inclusive arqueólogos mesmo) tem a terrivel mania de querer entender as pinturas rupestres baseando-se em seus conceitos atuais. Os povos da pré-histórias estavam cagando e andando (pra naum fazer montinho) pra quem iria vir depois deles... Não podemos aplicar nosso etnocentrismos em qualquer tipo de julgamento. E vc foi muito feliz em ter utilizado termo alteridade, porque se fazemos isso com sociedades já desapareceram imagine com a que vivemos.
Com certeza conseguir desenvolver essa alteridade é muito difícil porém naum impossível. Vamos aceitar as diferenças naum eh mesmo? afinal o mundo seria um ovário(saco :D) se fossemos todos robôs programados da mesma forma, pra agir sempre da mesma maneira!
O que vc disse sobre o preconceitos dentro da comunidade LGBT realmente é muito sério, eu já percebi isso algumas vezes, com amigos que são gays, com pessoas que ainda não conseguiram se assumir (a ela própria não para o mundo). Eu tenho um colega de faculdade que eh negro mas tem comentarios de nazistas, acreditam? é algo tão contraditorio que me deixa até confusa...
Otimo assunto :D
bjus

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